Especiarias na alimentação: equilíbrio e saúde!

Você já deve ter percebido que as especiarias estão presentes em todas as nossas receitas e os motivos não se restringem ao incremento do sabor ou para evitar o uso de produtos industrializados. São preciosos medicamentos e antídotos adicionados aos alimentos!

No livro “Ayurveda – a ciência da autocura: um guia prático” (2012), o Dr. Vasant Lad afirma que “a cozinha pode tornar-se a sua clínica doméstica” (p. 158) e é esta a perspectiva que orienta as nossas escolhas!

Cabe-nos destacar que a busca obstinada pelas especiarias talvez tenha sido o primeiro movimento de globalização entre o Ocidente e o Oriente. No entanto, há registros do uso da canela 2000 a.C. no Egito. Durante centenas de anos, as especiarias foram usadas como moedas: uma porção de cardamomo pagava o salário de um homem e, com uma xícara de pimenta, era possível comprar um escravo!

 A rota das especiarias incluía caravanas árabes e babilônicas em direção ao sul da Índia, mas o porto de Alexandria, a partir de Alexandre – o Grande, passou a ser a rota comercial entre o Mediterrâneo e a Índia. Com o advento da Idade das Trevas, o comércio estagnou e muitas rotas terrestres foram fechadas. Por isso, as rotas marítimas e a ação dos portugueses foram fundamentais para a retomada do comércio das especiarias.

Hoje, usufruímos de uma ampla gama de tradições culinárias que incorporam sabores milenares e centenários de diferentes regiões do mundo. O que nos oportuniza aprender, criar e buscar o equilíbrio. As especiarias são consideradas um subgrupo das ervas pois, em geral, utilizamos as sementes, raízes, frutos, bagas ou cascas das plantas. Já as folhas, caules ou flores, em geral, são considerados ervas. Há exceções como o gengibre e o curry. As especiarias são usadas secas, têm sabor mais marcante e originam-se das regiões tropicais.

As especiarias mais facilmente encontradas, no comércio do sul do Brasil, são o açafrão, o alcaçuz, o alho, o anis, a baunilha, a assafétida, a canela, o cominho, o cardamomo, o cravo-da-índia, o curry, o feno-grego, o funcho, o gengibre, as variedades de pimenta, a mostarda, a noz-moscada, a páprica, o zimbro, o coentro e a erva doce.

Sempre que possível, compre as especiarias inteiras, pois ao triturar, picar, moer ou espremer, terá preservado os óleos voláteis responsáveis pela complexidade dos sabores. Por isso, outra dica é comprar uma quantidade pequena, guarda-las em recipientes bem fechados e, quando possível, utilizá-las na finalização do preparo dos alimentos. Algumas especiarias como o gengibre e o alho são melhores frescas.

O Dr. Vasant Lad (2012, p. 156) explica que “os textos ayurvédicos clássicos declaram que todas as substâncias encontradas na natureza têm valor medicinal, quando usadas adequadamente”. Neste entendimento, o propósito do uso das especiarias é a harmonizar e equilibrar a nossa saúde, combatendo os fatores que desequilibram o corpo e que, na maioria das vezes, causam doenças.

A ayurveda é uma ciência muito prática e, por isso, podemos sugerir algumas orientações simples usando as especiarias encontradas na cozinha. Já deixei de comer muito brócolis e feijão pelos gases e inchaço na barriga; o queijo em virtude da produção de muco; a melancia pela retenção de líquidos, entre outros exemplos. Por isso, segue a dica das especiarias como “antídotos” no preparo e consumo dos alimentos:

Os laticínios, em geral, tem potencial para causar congestão e aumentar o muco nas vias aéreas. Por isso, a pimenta funciona como antídoto para os queijos; o cravo ou o cardamomo para os sorvetes; o cominho ou gengibre para o iogurte.

Para os cereais, temos outras indicações: no preparo da aveia, use açafrão, semente de mostarda ou cominho; no arroz, cravo ou pimenta em grãos; para o trigo, gengibre. Para os legumes que costumam provocar a produção de gases, use como antídoto o alho, o cravo, a pimenta ou o gengibre. Para as frutas, como abacate, açafrão, pimenta ou alho (lembra da guacamole?!); para a banana e a manga, o cardamomo; para o melão, coentro. No preparo dos doces, que tendem a aumentar nossa congestão, use sempre o gengibre seco ou em pó.

Assim, sejam quais forem as suas preferências na cozinha, opte pela saúde e equilíbrio. Experimente, vivendo um dia de cada vez, o sabor das especiarias e viaje pelo mundo entrando na cozinha!

Referências:

LAD, Vasant. Ayurveda – a ciência da autocura: um guia prático. São Paulo: Ground, 2012.

ESPECIARIAS: uma janela para o mundo. Buenos Aires: Catapulta Children Entertainment, 2009.

4 comentários sobre “Especiarias na alimentação: equilíbrio e saúde!

    1. Camila, agradeço a leitura e comentário! Creio que, os poucos, observará os efeitos dessas mudanças e seu corpo agradecerá! Experimente as variedades de pimenta e escolha a que mais se adapta ao paladar! Abração!

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